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Há 10 anos, fomos até o México ver as filmagens de “007 Contra SPECTRE” e conversar com Daniel Craig

Há 10 anos, o James Bond Brasil viveu uma experiência única no universo de 007. À convite da Sony Pictures e da EON Productions, embarcamos rumo à Cidade do México para acompanhar de perto as filmagens de 007 Contra SPECTRE, uma jornada que, uma década depois, segue como um dos momentos mais marcantes da nossa história.

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Era sexta-feira, 25 de março de 2015. Após o check-in e a retirada das credenciais com a equipe da Sony no Hotel Marriott, localizado no movimentado centro da capital mexicana, seguimos para o centro histórico da cidade, onde as gravações já aconteciam desde o dia 21.

O cenário não poderia ser mais grandioso. A Praça da Constituição — o famoso Zócalo — impressiona por sua escala monumental. Considerada a principal praça da Cidade do México e uma das maiores do mundo, ela se tornou o epicentro de uma das sequências mais ambiciosas já produzidas na franquia. Para isso, a produção conseguiu algo raro: o fechamento completo da região por quatro dias, incluindo vias importantes como Tacuba e Doncelles.

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Ao chegar ao local, a atmosfera era simplesmente eletrizante. Centenas de curiosos se aglomeravam atrás das grades que cercavam a praça, enquanto milhares de flores, figurantes caracterizados, uma imponente “Catrina” e diversos elementos típicos da cultura mexicana tomavam conta do cenário. Tudo indicava que estávamos prestes a testemunhar algo especial.

A produção recriava o tradicional Día de los Muertos, celebração cultural que homenageia os mortos e que, embora aconteça originalmente em novembro, foi incorporada ao filme como pano de fundo para a icônica sequência de abertura, hoje considerada uma das mais memoráveis da história de James Bond.

Fomos então levados ao terraço do luxuoso Grand Hotel Ciudad de México, que também já havia servido como locação em 007 – Permissão Para Matar (1989). De lá, tínhamos uma vista privilegiada de toda a ação acontecendo a poucos metros de distância. A produção ainda preparou uma exposição com itens utilizados no filme, artes conceituais, maquetes e figurantes caracterizados interagindo com os convidados.

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Logo ao chegarmos, ecoou pelo set o clássico grito de “ação”, dado por Michael Lerman, assistente do diretor Sam Mendes. Para dar vida à cena, cerca de 1.500 figurantes estavam envolvidos. O nível de detalhe impressionava: maquiagem e figurinos começavam a ser preparados às 4h30 da manhã. Segundo a figurinista Jany Temime, o trabalho havia começado ainda em novembro de 2014. “É um processo muito longo até chegar aonde estamos hoje”, explicou.

Entre os figurantes estava o ator mexicano Carlos Rosso, que compartilhou conosco a experiência de participar de uma produção dessa magnitude. “Foi algo grandioso. Chegávamos ainda de madrugada para maquiagem e figurino, e toda a equipe nos tratava muito bem. Foi incrível ver de perto os atores e o diretor”, contou.

Confira um vídeo que fizemos na época, mostrando um pouco do clima durante as gravações.

Outro nome importante presente no set era o premiado designer de produção Dennis Gassner. Questionado sobre a pressão de superar o sucesso de 007 – Operação Skyfall, ele foi direto: “Antes de mais nada, é um filme de James Bond. Sempre queremos fazer algo melhor que o anterior. Mas sim, a pressão esteve presente desde o início, afinal, não é todo dia que se carrega no currículo o filme de maior bilheteria da história do Reino Unido.”

Após horas acompanhando as filmagens, seguimos para o moderno Plaza Carso, onde tivemos acesso a outro momento especial: a exibição do teaser trailer do filme, apresentada pelo produtor Michael G. Wilson. Segundo ele, filmar a sequência de abertura no México foi comparável à complexidade de organizar o Carnaval do Rio de Janeiro para 007 Contra o Foguete da Morte (1979), tamanha a escala da operação.

E como se o dia já não fosse memorável o suficiente, ele terminou da melhor forma possível: frente a frente com o próprio James Bond. Participamos de uma entrevista exclusiva com Daniel Craig no St. Regis Hotel, onde o ator falou sobre a pressão de suceder Skyfall, seus 10 anos no papel e os desafios de continuar reinventando o agente 007.

Uma experiência única, e, dez anos depois, um marco inesquecível na história do James Bond Brasil.

Confira abaixo a entrevista completa.

(Entrevista realizada em março de 2015)

Na entrevista, feita em março de 2015, Daniel Craig fala que é muito empolgante chegar ao set todo o dia e ver os mais de mil extras todos vestidos a caráter para o Dia de Muertos: “É extraordinário, nunca vi nada igual”, disse. Foram 10 dias de gravações, com mais, e apesar de cansado, o ator atendeu a imprensa com muito bom-humor, dizendo que ainda não aprendeu a falar espanhol.

Você poderia falar como foi sua contribuição com o roteiro?

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Tenho trabalhado nisso há dois anos com o diretor e os roteiristas. Tem feito parte da minha vida pro‎fissional durante esse tempo. Tive muitas ideias, e muitas delas eram uma merda, mas por sorte estava rodeado de pessoas profissionais e criativas que sabiam descartar as ideias ruins.

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O grande sucesso de 007 – Operação Skyfall foi importante para você se sentir que estava fazendo o trabalho certo como Bond?

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Eu acho que sim. Senti uma certa liberação após Skyfall, e acho que foi esse o motivo de querer fazer outro filme, e acredito que para Sam também.

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Você teve participação em trazer Sam Mendes de volta?

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Eu apontei uma arma na cabeça dele (risos).

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Daniel Craig também falou o Teaser Trailer que acabávamos de ter visto, e sobre o tom sombrio passado através dele.

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É apenas um Teaser. Ele é bem sombrio, mas é só um Teaser. Ele não representa o filme  como ele realmente é. O filme é bem diferente de 007 – Operação Skyfall.

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Como foi trabalhar com Christoph Watlz?

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Ele é um pesadelo. Ele tem dois Oscars, e isso é um pesadelo (risos). Tivemos muita sorte de poder contar com todo elenco. Trabalhar com Léa, Monica e Christoph foi um grande privilégio. E ter Christoph foi a melhor coisa que poderia acontecer.

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O que você pode falar sobre o personagem dele?

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Ele é mau, muito mau mesmo.

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E ele é Blofeld, não é mesmo?

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Você sabe que não posso responder essa pergunta (risos).

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Você se machucou algumas vezes durante as filmagens. Foi preciso se esforçar mais dessa vez?

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Eu me machuco sempre. Mas estou bem, já estou acostumado.

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O fato de 007 – Operação Skyfall ter se tornado a produção de maior sucesso do Reino Unido pegou todos de surpresa? Fez aumentar a pressão em cima de você?

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Sim, que dizer, sim e não. Nunca imaginávamos que isso iria acontecer. E sim, de certa forma criou uma pressão, mas uma pressão fantástica. Ter Sam de volta ajudou a criarmos uma linguagem com um pé no passado, mas moderna ao mesmo tempo, e serviu para dar continuidade ao que havíamos feito.

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No dia 14 de outubro, vão fazer exatamente 10 anos desde que você foi anunciado no papel. Como você se sente no papel após esses anos. Pretende quebrar o recorde de Roger Moore?

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O Roger fez 12 filmes ou algo assim (risos)!!! Vamos ver, pretendo fazer um de cada vez.

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Como você descreveria ser James Bond?

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Eu adoro fazer esse papel. Faço coisas extraordinárias e vou a lugares maravilhosos. Agora, por exemplo, estamos na Cidade do México, depois vamos a Roma, onde vou dirigir um carro que nem existe perto do Coliseu (risos). É muito divertido!

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O que você acha da imprensa falando sobre um substituto para você?

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O simples fato é que eu não leio a internet, e não leio fofocas. Então eu realmente não me importo. Esse é o meu trabalho e vou continuar fazendo enquanto me sentir bem.

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Você tem um filme favorito de Bond?

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‘Moscou Contra 007’, mas eu sempre respondo um diferente a cada vez que me fazem essa pergunta (risos).

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Esse é o seu último ou você vai continuar? Você tem contrato para mais um, certo?

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Tudo o que penso no momento é este filme. Adoro fazer esses filmes e eu me diverti muito mais fazendo esse do que todos os outros. Existe sim um contrato, mas depende de mim decidir voltar ou não.

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